segunda-feira, 14 de outubro de 2013

OLA GENTE HOJE COLOCAREI TUDO SOBRE CICLIDEOS AFRICANOS E UM VIDEO DO MEU AQUARIO DE CICLIDEOS AFRICANOS.

1 - Introdução
Os Ciclídeos Africanos tem a sua origem em várias regiões. Existem ciclídeos na África Ocidental, Oriental, nos rios africanos e nos chamados "Rift Lakes". O termo "Rift Lakes" aplica-se aos três principais lagos do continente africano: Lagos Victoria, Tanganyika e Malawi. Entre estes lagos rochosos, o que abriga o maior número de espécies é o Lago Malawi (mais de seiscentas espécies catalogadas - mas mais da metade já extintas). A maioria das espécies que habitam estes lagos são endêmicas, isto é, apenas são encontradas no respectivo lago.
1.1 - Características Gerais
Ciclídeos do Lago Malawi pertencem a dois grupos distintos: Mbuna (peixes que habitam a parte rochosa do lago) e Non-Mbuna (todos os outros) - outros nomes associados a este último grupo são: Utakas e Haplochromis (Haps).
Mbunas são menores, mais activos e agressivos que os non-mbunas, são usualmente herbívoros, alimentando-se basicamente de algas rochosas e pequenos crustáceos. Os principais géneros são: Pseudotropheus, Melanochromis, Labidochomis, Labeotropheus, Cynotilapia, Gephyrochomis, entre outros.
Non-mbunas são menos agressivos (para os padrões dos ciclídeos africanos!) principalmente porque os seus territórios não são tão pertos entre si e são menos definidos (por habitarem a parte mais aberta do lago); são maiores que os mbunas e são na sua maioria omnívoros (alimentando-se de alevins, pequenos invertebrados, plancton, etc). Os principais géneros são: Aulonocara ("Peacocks"), Haplochromis ("Haps").
Tipicamente os ciclídeos do Lago Tanganyika desovam no substrato, e alimentam-se de plancton, microcrustáceos e alevins (micro-predadores e omnívoros). Os principais géneros são: Tropheus, Lamprologus, Neolamprologus, Julidochromis.
No entanto, estas características são apenas generalizações, e certamente existem muitas excepções. Por exemplo, a Cyphotilapia do Lago Tanganyika atinge até 35 cm, e alguns shell-dwellers podem apresentar um comportamento agressivo comparável aos mbunas. E, do mesmo modo que os ciclídeos do Malawi, existem Tanganyikas predominantemente herbívoros, omnívoros e predominantemente carnívoros.
1.2 - Dimorfismo/Dicromatismo
Em várias espécies, normalmente o macho é maior e possui coloração mais vistosa que a fêmea. Entretanto, enquanto alevins, todos possuem a coloração da fêmea, não sendo possível distinguir o sexo pela cor. Somente quando juvenis, ou mesmo adultos em algumas espécies, é que a cor definitiva aparecerá. Em algumas situações, entretanto, um macho adulto poderá tomar a cor da fêmea. Por exemplo, quando um macho não dominante é seguidamente atacado pelo dominante (não necessariamente da mesma espécie), o primeiro pode adquirir a coloração da fêmea da espécie, camuflando-se como proteção. O modo correcto de distinguir o sexo é verificando os canais genitais, que nas fêmeas são maiores e mais arredondadas (para facilitar a desova). Alguns criadores distinguem os machos pelas barbatanas mais pontiagudas. Este método, porém, além de subjectivo, não é visível em alevins e juvenis.
2 - Tamanho do Aquário
Considerando (a) o tamanho médio dos ciclídeos africanos (Tangs: 6-10 cm; Mbunas: 12-15 cm; non-Mbuna: 20-30 cm); (b) que quase todas as espécies são territorialistas/agressivas; (c) que estes procriam com frequência (quando bem adaptados ao ambiente) e (d) que a decoração do aquário ocupa muito espaço, o volume mínimo adequado para a criação significativa de ciclídeos africanos seria de aproximadamente 200 litros (100x50x40 cm). Entretanto, para observar o comportamento singular e a procriação destes peixes de maneira adequada e satisfatória, o aquário ideal deveria ter mais de 350 litros (150x50x50 cm). Em tanques menores poderiam co-habitar espécies menores ("mbunas dwarf rock-dwellers", Tangs "shell-dwellers" e Victorian Haps), mas mesmo assim em número reduzido. Em todos os casos a proporção ideal é de cerca de 15-20 litros/peixe. Deve-se dar preferência a aquários mais largos do que altos, em função da decoração: 10 cm a mais num aquário rochoso fazem uma diferença significativa. Ex.: um aqua de 200 L com medidas 100x50x40 (CxLxA) será mais bem melhor aproveitado do que um de 100x40x50.
3 - Parametros Da Água:
3.1 - Temperatura
Temperatura entre 24-27°C. O ideal seria mantermos a temperatura entre 24-26°C pois: (a) temperaturas mais altas aceleram o metabolismo e consequentemente o apetite, aumentando a agressividade; (b) quanto mais alta a temperatura menor a taxa de oxigénio dissolvido na água. Em duas situações seria interessante aumentar a temperatura até o ponto (29-30°C): (a) para promover a desova/procriação e (b) aumentar o apetite e consequentemente o crescimento dos peixes (principalmente dos alevins).
3.2 - Amónia/Nitratos/Nitritos
Todos os peixes em geral são sensíveis à amónia, mas esta é potencialmente mais tóxica para os ciclídeos. A amónia num pH alcalino é muito mais tóxica do que num pH neutro (vide aquas marinhos). Daí a importância: (a) da ciclagem; (b) de uma boa filtragem biológica/mecânica/química; (c) das trocas parciais de água mais frequentes e (d) do controle populacional.
3.3 - O2 x CO2
Os ciclídeos africanos necessitam da água com alto grau de oxigénio dissolvido e baixo grau de CO2. A ausência de plantas dificulta a manutenção deste parâmetro. Se criarmos uma forte movimentação na superfície da água, aumentaremos as trocas gasosas (dissolução de O2 e evaporação de CO2), então, teremos uma concentração maior de O2 e menor de CO2 (vide aquas marinhos). Quanto maior a movimentação/corrente da superfície menor a quantidade de CO2 e consequentemente maior o pH (basta verificar isto em uma tabela conjugada pHxKHxCO2).
3.4 - pH
Os ciclídeos africanos, ao contrário dos americanos, necessitam de água extremamente alcalina. As faixas típicas para os três lagos são:

Victoria: 7.2-8.6 Malawi: 7.4-8.6 Tanganyika: 7.8-9.0

Estes são valores aproximados, e claro, vão variar naturalmente em diferentes épocas do ano nestes lagos (em função da salinidade, da temperatura etc). É recomendado manter o aquário com pH estável entre 8.2-8.4, que seria uma faixa média, apropriada para os peixes dos três lagos. Como vimos no ítem anterior, a forte movimentação da água ajuda a aumentar o pH, porém outros fatores conjugados também interferem directamente no pH. É o que veremos nos próximos dois itens.
3.5 - KH / NaHCO3
A dureza dos carbonatos (KH) refere-se ao grau de dissolução de carbonatos e bicarbonatos na água. Quanto maior o grau, mais dura é a água. O KH é o responsável pelo tamponamento, que é a capacidade de manter o pH estável. A água dos Rift Lakes contém muito carbonato dissolvido, deixando o KH entre 8-10 (moderadamente dura). Adicionando (nas trocas parciais) Bicarbonato de Sódio (NaHCO3) na proporção aproximada de uma colher-medida cheia para 150 litros de água nova, tamponaremos o pH em aproximadamente 8.1-8.5, dependendo do pH inicial e do movimento de superfície da água.
3.6 - GH / CaCO3
A dureza geral (GH) refere-se à concentração geral/total, principalmente de magnésio e cálcio dissolvidos na água. A relação entre GH e pH é muito pequena, mas é importante para algumas espécies de plantas e peixes. Nos Rift Lakes, a água contém alta concentração de magnésio, deixando o GH entre 10 e 12. Para elevar o GH (e consequentemente o KH), adicione carbonato de cálcio (CaCO3). Sulfato de magnésio pode ser usado para endurecer a água no lugar do cálcio, entretanto, utilizando substratos calcários (halimeda, aragonite, dolomita) o GH/KH ficará estável, sem a necessidade de adicionar estes produtos.
3.7 - Salinidade
A água dos Rift Lakes possui alto grau de sais dissolvidos, mas não do sal comum NaCl, portanto é um erro comum achar que a água dos ciclídeos africanos é salobra. Para suprir a água do tanque de potássio e elementos traços, utilize 1 colher de sal próprio para ciclídeos africanos (não iodado). Não é recomendável a adição de NaCl, salvo sob condições particulares (controle de bactérias, etc.)
4 - Filtragem
Os ciclídeos africanos comem muito, produzindo muitos dejectos que se acumulam rapidamente no aquário. Como não há plantas no tanque, toda a sujidade deve ser removida pela filtragem. Então, quanto mais forte for esta, melhor. Sugere-se um filtro externo com circulação de pelo menos 6 vezes por hora o volume do aquário, acrescido de bombas submersas acopladas a esponjas que (a) aumentam a filtragem biológica e (b) aumentam a corrente interna, mantendo os dejectos mais tempo em suspensão, sendo recolhidos pelo filtro externo. Quando houver "superpopulação" (descrito adiante), devemos ter também uma "superfiltragem" de pelo menos 8x volume/hora.
4.1 - Trocas Parcias
Devido (a) ao facto da amónia/nitratos serem muito mais tóxicos em água alcalina; (b) à ausência de plantas e (c) à superpopulação, a qualidade da água em tanques de ciclídeos africanos deteriora rapidamente. Trocas frequentes tornam-se imprescindíveis, fazendo com que os peixes permaneçam saudáveis e tenham as cores realçadas. Pelo menos 20-30% semanais atendem a esta necessidade. A água de torneira, normalmente utilizada nas trocas, contém cloro/cloraminas. É necessário adicionar um condicionador (tipo "AquaSafe") para eliminá-los junto com os demais metais pesados.
5 - Decoração:
5.1 - Iluminação
Por não haver plantas, a iluminação não necessita ser forte. 0,5 W/L de iluminação fluorescente normal é o suficiente (incluindo, neste valor, uma lâmpada azul actínica, para realçar a coloração dos peixes).
5.2 - Substrato
O cascalho correcto num aquário de ciclídeos africanos é de vital importância para um bom desenvolvimento do aquário. É ele que tampona o pH num "reef doce". Logo abaixo são citados alguns tipos de cascalho indicado para ciclídeos africanos:
African cichlid mix - cascalho importado dos EUA, de excelente qualidade, promove um aumento de biologia pela estrutura porosa, e mantém um pH alto recomendado. Na cor cinza/branco/grafite, é altamente recomendado.
Halimeda - cascalho normalmente usado em aquário de corais, possui todos os elementos bioquímicos recomendados para este aquário. Possui a vantagem de ser nacional e ter um custo mais reduzido. Consegue manter uma dureza alta e um pH excelente.
Caribean Sea Aragonite - cascalho importado dos EUA, normalmente usado nos grandes aquários de ciclídeos africanos, pela sua excelência bioquímica e pela sua bela cor branca que realça as cores dos peixes. É pesado com granulagem média-fina, mantém o pH alto e dureza correcta.
Dolimita - cascalho mais comum, possui características alcalinizantes e preço baixo, mas não é recomendável. Desvantagem: perde com o tempo a sua força alcalinizante e altera pouco a dureza da água por não ser de material exclusivamente calcário.
Cascalho de conchas - muito comum no passado para aquários marinhos, é recomendável para ciclídeos mas não se dissolve bem com o tempo, perdendo o poder de tamponamento que os três primeiros possuem.
5.3 - Pedras
O aquário de ciclídeos africanos deve ser decorado com areia e rochas, em quantidade apropriada para simular o ambiente natural dos Rift Lakes habitado pela maioria das espécies escolhidas para o aquário. As tocas servem de abrigo e como "ninho" para reprodução. As tocas serão ocupadas e se tornarão territórios defendidos agressivamente (principalmente durante a desova). As rochas, cobertas de algas, servem de fonte de alimento para os herbívoros. A movimentação forte da água evita que depósitos de sujeira acumulem-se entre as rochas. A agressividade está ligada à quantidade de tocas, uma vez que quanto menos tocas, mais disputa por elas.
5.4 - Plantas
Normalmente não são usadas em aquários de ciclídeos africanos. A maioria deles são parcialmente ou totalmente herbívoros, tendendo a comer quase todas as espécies de plantas. Além disso, o pH muito alto, com baixa quantidade de CO2 dissolvido, não favorece o crescimento da maioria das plantas.
6 - Alimentação
Os mbunas são basicamente herbívoros, enquanto os non-mbunas são omnívoros, assim como a maioria dos Victorian Haps e Tangs (uma importante excepção são os Tropheus e Góbios que são herbívoros quase que exclusivamente, qualquer dose maior de proteína animal é suficiente para adoecê-los). Entretanto, todos os ciclídeos africanos tenderão a comer qualquer alimento oferecido. O problema é que uma dieta errada poderá causar uma doença fatal nos ciclídeos africanos chamada "Malawi Bloat" (mais a seguir). O ideal é alimentá-los 2-3 vezes/dia, o suficiente para o consumo em até 2 minutos, deixando-os em jejum 1 dia na semana. Uma alimentação 90% herbívora e 10% animal (artémias) é a combinação ideal. A alimentação está ligada à agressividade, como veremos a seguir.
7 - Agressividade
Quase todas as espécies são territoriais e intolerantes com (pelo menos) sua própria espécie. Em algumas espécies mesmo as fêmeas mostram comportamento territorial (M. chipokee e M. auratus, Ps. lombardoi...). Às vezes a agressão do macho é directamente contra algum peixe de coloração semelhante (especialmente entre Aulonocaras). Alguns Neolamprologus do complexo brichardi são mais tolerantes entre si e podem inclusive formar colônias hierárquicas baseadas no corporativismo, se o aquário tiver espaço suficiente para comportá-los.
7.1 - Hierarquia Social
Os ciclídeos africanos, mesmo fora dos limites de um tanque, formam uma hierarquia social, que funciona tanto inter quanto intra espécies. Assim, um macho é o peixe hiperdominante do tanque, tendo o comportamento mais agressivo, perseguindo todos (principalmente os machos) que se aproximarem, não somente no período da desova. Entre as espécies haverá um macho dominante, que não tolerará nenhum outro macho de sua espécie no tanque. O dominante acabará matando o(s) outro(s). Mesmo em aquário maiores (400-500 L) algumas espécies mais agressivas (M. chipokee e M. auratus) não aceitarão a presença de outro macho da sua espécie no tanque. O ideal é mantermos um "harem" de 2-3 fêmeas para cada macho. A hierarquia é melhor observada quando não há actividade de desova no tanque. Quando está desovando, tanto o macho quanto a fêmea tornam-se mais agressivos, podendo "quebrar" a hierarquia.
7.2 - Controle
A agressividade dos ciclídeos está ligada basicamente a dois factores: sexo e comida. Para tentar controlar a agressividade, devemos (a) manter o número de machos bem menor que o de fêmeas, criando "haréns"; (b) montar as rochas formando muitas tocas (2-3/macho), para diminuir a disputa; (c) baixar a temperatura (25-26°C), para não aumentar o metabolismo; (d) alimentação 2-3 vezes ao dia (consumo até 2 minutos). Além dessas medidas, há uma teoria de "superpopulação" do tanque, que dispersaria a atenção dos machos dominantes, não fixando em uma só vítima. Caso o aquarista opte por superpopular o aquário, deve, então superfiltrar a água. A adição de alguns peixes rápidos de superfície (dânios, paulistinhas) também ajuda a dispersar a agressividade.
8 - (Re)Introdução de (Novos) Peixes
Ao introduzirmos os peixes no aquário recém montado, devemos evitar colocar os mais agressivos primeiro. O "ranking" de agressividade entre os Mbunas tem no "pódium" M. auratus, M.chipokee, Ps. lombardoi "Kennyi", seguidos pelos outros Pseudo- e Labidotropheus. Os Labidochromis e Aulonocaras são espécies menos agressivas (para os padrões dos ciclídeos africanos!). Ao reintroduzirmos um peixe no aquário, devemos ter em atenção o facto de que este voltará à base da "pirâmide social". Para evitarmos algum incidente, devemos reintroduzí-los durante a alimentação, podendo apagar as luzes, para que o novo habitante possa encontrar algum abrigo. Um novo habitante será perseguido/caçado durante as primeiras semanas e não revidará, averiguando a hierarquia social do grupo. Quando estiver adaptado, começará a desafiar os que se encontram na base da pirâmide.
8 - Reprodução
Sendo todos ovíparos, as fêmeas dos ciclídeos africanos desovam na água, sendo em seguida fecundados pelo macho no próprio substrato.
8.1 - Desova
Se a água, a comida e a filtragem estiverem dentros dos parâmetros ideais, os ciclídeos africanos desovarão com frequência. Os Mbunas começam a desovar a partir dos 7 meses de vida. Algumas espécies chegam a desovar mensalmente. O macho prepara a toca e corteja a fêmea. Neste período tendem a ficar mais agressivos.
8.2 - Incubação Bocal
Em algumas espécies (Mbunas, por exemplo), as fêmeas carregarão os ovos fertilizados em sua boca e os incubarão. As larvas chocarão após 14-21 dias. Quando estes chocarem (10-30 larvas), ainda permanecerão durante 18-25 dias (dependendo da espécie e da temperatura). Quando os alevins alcançarem cerca de 1 cm, estarão aptos a alimentar-se e a nadar livremente. Quando as fêmeas carregam ovos, recusam-se a comer (característica que pode ser confundida com a doença hidropsia); a sua boca parece cheia, fazendo movimentos de mastigação frequentemente.
8.3 - Stripping Fry
É a técnica de retirar manualmente os alevins da boca da mãe.
8.4 - Crescimento dos alevins
Para um crescimento saudável e eficaz, as trocas parciais deverão ser mais frequentes e a quantidade de proteína animal (artémias) deve ser maior (70% vegetal, 30% artêmias). A temperatura deve ficar entre 28-29°C para aumentar o metabolismo e o apetite.
8.5 - Hibridismo
Espécies diferentes de um mesmo género (especialmente entre Aulonocaras e Pseudotropheus), poderão procriar (principalmente, quando não houver um número satisfatório de fêmeas de sua espécie disponíveis), produzindo crias híbridas que costumam ser estéreis, fracas, sem coloração intensa, e muitas vezes com deformações. O macho hiperdominante, principalmente, também tentará procriar com fêmeas de outras espécies no mesmo género.
9 - Doenças
Além das doenças "convencionais", a que todos os peixes estão sujeitos, os ciclídeos estão sujeitos a uma fatal, chamada "Malawi Bloat" (semelhante à hidropsia). Apesar do nome, ela pode atacar os peixes dos três lagos.
9.1 - Sintomas
O primeiro sintoma é a perda do apetite. Os ciclídeos africanos são sempre vorazes ao se alimentarem. Somente a fêmea, quando está carregando ovos, é que perde o apetite. Os sintomas secundários incluem inchaço anormal do abdomen, respiração ofegante, fezes brancas, ficar parado no fundo do tanque ou ofegando na superfície. Marcas vermelhas em volta do ânus ou ulcerações na pele podem aparecer. Neste ponto já é tarde para recuperar o peixe, pois a extensão dos danos já atingiu o fígado, os rins e/ou a bexiga natatória. A morte normalmente acontece em 24-72 horas (em alguns casos em até 1 semana).
9.2 - Causas
As principais causas do Malawi Bloat são: (a) dieta errada, que irá irritar o sistema digestivo/excretor dos peixes (evitar tubifex, blood worms, larvas e artêmias em excesso, e mesmo flocos e pellets contendo este. Os Mbunas são basicamente herbívoros. Mesmo os non-Mbunas devem ter a alimentação animal restrita. (b) longa exposição à água de baixa qualidade: parâmetros incorretos, falta de trocas de água e superalimentação. (c) Excesso de sal (NaCl): na tentativa de simularmos o ambiente ideal, frequentemente, exageramos na quantidade de sal, sobrecarregando os orgãos internos dos animais.
9.3 - Tratamento
Só há tratamento no estágio inicial da doença. Quando percebermos que o peixe perdeu o apetite, devemos removê-lo e iniciar o tratamento imediatamente. Uma solução de Metronidazole (Emtryl), ou um Bactericida para aquários, em conjunto com uma oxigenação forte, temperatura entre 29-30°C, e trocas diárias de 30%, poderão salvar o peixe. O tratamento deve seguir até o peixe voltar a ter o seu apetite normal.
10 - Referências
C.M.C.A
Malawi Cichlid Homepage
African Cichlid Recipe
African Cichlids
Cichlids Great and Small
Nota Final
Este "Manual" é apenas um resumo de uma série de artigos que eu consegui na net em diversos sites especializados em Ciclídeos Africanos. Os sites brasileiros, em sua maioria (sem, é claro, querer desmerecê-los), abrangem basicamente aquários comunitários típicos e aquários plantados (tipo holandês); informações específicas sobre aquários de ciclídeos africanos quase não há nos sites que eu procurei. Como consegui muita informações em sites estrangeiros, resolvi compilar estas informações e resumi-las num único texto. Ao compartilha-lhas quero deixar claro que se trata meramente de uma contribuição para os interessados em aquariofilia. 


O VIDEO AGORA.



domingo, 29 de setembro de 2013

OLA GENTE HOJE COLOCAREI TUDO SOBRE O PEIXE OSCAR.

O Peixe.

Também conhecido como Acará-açu e Apairi, o Oscar(Astronotus ocellatus) é mais um membro da numerosa família Cichlidae, a mesma dos Ciclídeos Africanos e de outras preciosidades do aquarismo, como o Acará Bandeira e o Disco. Natural da região equatoriana do Peru, Colômbia, Brasil e Guiana Francesa, ocorre em rios da bacia Amazônica com correntes lentas e águas brancas, ou seja, com teor de argila em suspensão.Esse peixe pode ser criado com outros peixes do mesmo tamanho ou ligeiramente menores, às vez(es)
pode ser criado para o consumo humano e como predador de caramujos também. Ele consegue mudar a tonalidade se estiver bravo, assim como apresentarem uma membrana debaixo do opérculo.

Na natureza apresentam coloração escura com desenhos em mosaicos alaranjados, podendo atingir até 45cm de comprimento e pesar aproximadamente 1,5 kg. Variedades com aspecto e coloração diferentes são hoje encontrados no mercado, a partir de exemplares criados em cativeiros. Alguns exemplos são o Oscar Red, Red Tiger, Albino Red Ruby, Albino Red Tiger, além de variedades com nadadeiras véu.

Habitam rios com ph ligeiramente ácido (6,8 a 7,0) e águas quentes. A temperatura é um dos principais fatores limitantes de sua distribuição. Em cativeiro, toleram grande variação de ph e dureza da água, desde que a temperatura mantenha-se constante, próxima a 28°C. Temperaturas baixas podem ser letais para esta espécie.

O oscar apresenta grande valor comercial. Além de ser amplamente cultivado como peixe ornamental, também é infelizmente apreciado como peixe de consumo, devido a qualidade de sua carne, com boa consistência e livre de espinhos intramusculares. O crescimento lento, quando comparado a outras espécies, dificulta seu cultivo para este fim. 

Os aquaristas descrevem o Oscar como um peixe simpático e brincalhão, capaz de reconhecer o dono e alimentar-se em sua mão. Chega a permitir carícias em seu dorso. É um exímio decorador, remexendo o fundo do aquário e mudando constantemente o arranjo de pedras, conforme seu gosto.

O Oscar é resistente a doenças quando adulto, porém é mais sensível quando filhote. Ele tem o hábito de destruir tudo e qualquer decoração do aquário, por isso não se preocupe muito com essas coisas, além do mais consegue arrastar pedras pesadas, revolvem areia e arrancam plantas.

É simpático e sociável e é capaz de reconhecer o seu tratador, pegar a comida na mão ou até mesmo pular para fora do aquário para apanhá-la. Costuma deixar que se façam carícias em seu dorso. Aos menos avisados, os movimentos lentos de seu nado podem sugerir que sejam peixes de fácil convívio com outras espécies. Na verdade são peixes carnívoros, extremamente vorazes e territoriais. Peixes menores são sempre vistos como presas, portanto não devem ser introduzidos em aquários com Oscar.

Mesmo que sejam adquiridos ainda pequenos, deve-se considerar o potencial de crescimento dessa espécie, que, em cativeiro pode passar dos 30 cm. Necessitam de aquários com bastante espaço, principalmente se forem mantidos com outros peixes de grande porte ou para abrigar um casal. Os ideais são aquários com até 250 litros. Não devem ser mantidos em aquários com menos de 100 litros, mesmo que seja para manter um exemplar.

Arrow Veja a Ficha Técnica.

Arrow Alimentação.

É uma alimentação bem simples e fácil de ser encontrada, e não é muito cara, mas o Oscar tem fama de ser guloso, também pelo tamanho que ele pode alcançar não podemos culpá-lo. Alimentos vivos (como pequenos peixes), carnes cruas também são uma ótima escolha.

Na natureza alimentam-se de pequenos peixes, crustáceos, moluscos e larvas de insetos. Devido ao seu hábito alimentar carnívoro, quando mantidos em aquários requerem uma dieta de qualidade, com nível alto de proteína. Além disso, para o bom desenvolvimento e manutenção saudável desses peixes é indispensável um balanceamento correto dos macronutrientes (proteína, fibras e gordura) e micronutrientes (vitaminas e minerais). Os Oscars apresentam uma carência específica de vitamina C, sendo essencial o suprimento desta necessidade.

Arrow Reprodução.

O Oscar não apresenta dimorfismo sexual (diferenças aparentes entre machos e fêmeas), porém alguns considerarem que os machos crescem mais rápido que as fêmeas. Apesar das poucas informações sobre a reprodução desta espécie na natureza, acredita-se que alcançam a maturidade sexual com aproximadamente um ano de idade , reproduzindo-se até os dez anos. Desovam entre 700 e 2000 ovos por ciclo, em superfícies lisas (pedras, troncos, etc), demonstrando cuidados parentais, ou seja, os pais tomam conta da desova e dos pequenos filhotes após o nascimento.

Arrow O aquário é uma peça sempre muito importante, pois além de servir de alojamento será um adereço decorativo pra sua residência.


Como todo peixe deveria ser criado em um aquário grande, de preferência um de 100 litros, esse nosso amiguinho pode atingir um tamanho bastante razoável, em média 35 cm, pra ele é recomendável um aquário de no minio 200 litros. Por ser um peixe de hábitos diurnos recomenda-se que nesse período o aquário esteja tampado para evitar que ele pule pra fora. Quanto à iluminação ele necessita 12h no escuro e 12h no claro. É interessante que você coloque algumas plantas que servem de abrigo para o animal, sempre atento se ele não ira destruí-las. A temperatura ideal deve ser entre 21ºC e 26ºC.

Arrow Não deixe de limpar sempre onde seu animal fica, isso é muito importante para seu conforto e do próprio bichinho.

A única e principal higienização é com o aquário mesmo, que deve ser limpo a cada 15 dias ou uma vez por mês, tudo vai depender claro de como estiver a água. Se estiver começando a ficar turva é bom ser trocada. Essa troca de água é parcial, ou seja, apenas 20% do total que vai ser retirada, recomenda-se também sempre efetuar esse processo em época de verão e evitar no inverno. Se possível lavar os filtros também e nunca usar cloro.

É recomendável ter um bom sistema de filtragem, de preferência um Sump, com pelo menos 20% da capacidade do aquário principal, as mídias filtrantes podem ser Perlon (acrilon) para tirar a sujeira mais grossa, carvão ativado ou purigem (melhor opção) faz a limpeza de cloro, amônia e outros materiais prejudiciais ao peixes, cerâmicas e argila expandida para proliferação de bactérias benéficas ao aquário.

sábado, 28 de setembro de 2013

OLA GENTE HOJE COLOCAREI TUDO SOBRE TETRA NEGRO.

Ficha do peixe Tetra Negro



O Gimnocorymbus Ternetzi , o tetra negro, como é chamado popularmente, tem um faixa preta na parte posterior de seu corpo. Já o tetra Véu diferencia-se pela grandes nadadeiras em forma de véu. Muito fácil de ser criado pôr não molestar ninguém recomendável em aquários comunitários, não muito exigente quanto as condições da água, mas não se pode deixa-lo em condições extremas .

Vive em meia-água, deve-se deixar um aquário bem plantado com plantas baixas para não atrapalhar seu caminho pois é de extrema vivacidade. Não se pode deixa-lo em variações de temperaturas muito fortes, pois ele pode adquirir Ictio facilmente.

Na alimentação também não é exigente, come tudo, ração, alimentos vivos .

Quanto a sua reprodução retirar do aquário comunitário e colocar o casal em um aquário apropriado para reprodução com as mesmas condições de química da água e temperatura, Com um cortejo prolongado a certeza do acasalamento é evidente, a fêmea solta seus óvulos nas plantas e o macho fecundará com seu espermatozoide quase que no mesmo momento. A eclosão ocorre depois de 24 a 28 horas e os alevinos se alimentaram com seu saco vitelino pôr 3 dias, antes de obter uma natação livre. Neste ponto o aquarista terá que alimenta-los com Nauplius de Artemias, achamos que o casal deve ser retirado do aquário de reprodução assim que houver a fecundação dos óvulos. A distinção entre o macho e a fêmea é que o macho tem sua nadadeira dorsal mais pontiaguda num formato triangular em relação a fêmea.


Temperatura: 21 a 28c°
Reprodução: Oviparo
Origem: America do sul
Ph: 6.8 a 7.0
Dh: 8
Iluminação: Média 10hs
Alimentação: Centro

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

OLA GENTE HOJE COLOCAREI TUDO SOBRE PANGASIUS.

Cultivo do Bagre Pangasius

PANGASIUS O BAGRE DO VIETNÃ




Este bagre tem as carac­te­rís­ti­cas que o con­su­mi­dor bra­si­leiro pro­cura, tem tex­tura firme, cor branca, sabor suave e sem espi­nhas. É muito ver­sá­til per­mite vários tipos de pre­pa­ros (gre­lhado, frito, assado e ensopado).

Esta espé­cie se desen­volve natu­ral­mente de maneira rápida, e por não ser car­ní­voro, suporta a cri­a­ção em ambi­en­tes com altís­sima den­si­dade populacional.

Esses moti­vos, asso­ci­a­dos às téc­ni­cas avan­ça­das de cri­a­ção e pro­ces­sa­mento fazem deste bagre uma opção eco­no­mi­ca­mente viá­vel , sendo sucesso nos EUA como quinto pes­cado mais pro­cu­rado e em mais de 240 paí­ses pelo mundo.

Cul­tivo

Panga® (nome comer­cial), é cul­ti­vado a mais de 1000 anos no Rio Mekong, um dos mai­o­res rios do mundo, loca­li­zado no sudeste asiá­tico. O nome Mekong vem do idi­oma tai­lan­dês e sig­ni­fica, em tra­du­ção livre, “Mãe água”.

A bacia do Mekong é uma das mais ricas do mundo em bio­di­ver­si­dade, sendo que mais de 1200 espé­cies de peixe já foram des­co­ber­tas na região e são uma fonte vital para a dieta da popu­la­ção local.

Além do Vietnã, tam­bém é ampla­mente cul­ti­vado em vários paí­ses da Ásia, incluindo Tai­lân­dia, Nepal, Paquis­tão, Índia, Ban­gla­desh, Laos, Myan­mar, Indo­né­sia e Cam­boja e nas Filipinas.

Nos pai­ses asiá­ti­cos esses bagres são cri­a­dos em vivei­ros de terra , em alta den­si­dade com baixa reno­va­ção de água durante o cul­tivo e são ali­men­ta­dos com rações comer­ci­ais de baixo custo unitario.

Cri­a­dos em regime semi-intensivo em vivei­ros esca­va­dos, ou cri­a­dos em sis­te­mas de cri­a­ção inten­siva de alta den­si­dade, e ainda, em raceways e tanques-redes.

Pan­ga­sius pode che­gar a 1 kg de peso na des­pesca num período de 6 meses de cultivo, iniciando com ale­vi­nos esto­ca­dos de 20 gramas.

Pos­sue um rápido cres­ci­mento e uma ele­vada taxa de sobre­vi­vên­cia por uni­dade de área (kg/m³), com­pa­ra­dos aos tra­di­ci­o­nais pei­xes cultivados.

É um bagre de água quente tro­pi­cal que cresce a um máximo de 1,3 metros de com­pri­mento atin­gindo 44 kg na natu­reza, vivem em pH 6.5 a 7.5 e a uma tem­pe­ra­tura da água de 22 a 26 °C.

Na fase de ale­vino esse peixe é fito­plan­tó­fago e zoo­plan­tó­fago na fase juve­nil alimenta-se de algas, zoo­plânc­ton, plan­tas supe­ri­o­res, e inse­tos aquá­ti­cos. Na fase adulta ele come fru­tos, crus­tá­ceos e peque­nos peixes.

As fêmeas atin­gem a matu­ri­dade sexual cri­a­das nos vivei­ros esca­va­dos, à par­tir três anos e os machos no segundo ano.

Uma fêmea pode pro­du­zir cerca de 1 milhão de óvulos madu­ros e as deso­vas podem ser indu­zi­das por hormô­nios de extra­tos de hipó­fise e hormô­nios sin­té­ti­cos HCG.
esquema de repro­du­ção do bagre asiá­tico ; fonte FAO

As fêmeas rece­bem duas a três doses de hormô­nios com inter­va­los de seis horas e os machos somente uma dose no final.

A extru­são (reti­rada dos óvulos da fêmea) ocorre cerca de 20 a 24 horas após a última dose de apli­ca­ção e os repro­du­to­res podem ser indu­zido nova­mente com três a qua­tro meses após a desova, e na natu­reza deso­vam até duas vezes ao ano.
incu­ba­dora de 200 litros com larvas

As pós-larvas depois do período ini­cial nas incu­ba­do­ras são leva­das para vivei­ros de terra de 1000 até 5000 m2, povo­a­das numa den­si­dade de 400 a 500 pós-larvas /m2.

Os vivei­ros ( após a cala­gem pré­via de 7 a 15 dias ) são adu­ba­dos com fer­ti­li­za­ção orgâ­nica , dois a três dias antes do povo­a­mento com as pós-larvas e man­ti­dos a uma lâmina dágua de 1/3 do volume total de água .
viveiro com fer­ti­li­za­ção orgânica

A pro­vi­são de ali­men­ta­ção natu­ral riquís­sima em fito e zoo­plânc­ton desen­volve os ale­vi­nos de 0,3 a 1,0 g, em 30 dias .

Após este período são trans­fe­ri­dos, atra­vés de rede de arrasto sele­tiva ,para vivei­ros de terra com até 200 m2 de área na den­si­dade de 100 a 150 ale­vi­nos / m² e cri­a­dos até atin­gi­rem 20 a 25 gramas.

A taxa de sobre­vi­vên­cia para esta fase fica em torno de 60% dos pei­xes à par­tir do povo­a­mento nesta densidade.

O Pan­ga­sius pos­sui res­pi­ra­ção aérea facul­ta­tiva tolera bai­xos indi­ces de oxi­gê­nio ( O2D ) como cerca de 0,05 a 0,1 mg/litro de água.

É um ani­mal extre­ma­mente tole­rante a altas den­si­da­des de esto­ca­gens nos vivei­ros de engorda esca­va­dos e nos tanques-redes.
vivei­ros esca­va­dos acima de 2000 m2

Em vivei­ros esca­va­dos de 1000 m2 até 10.000 m2 de terra com pro­fun­di­dade média de 1,5m e baixa troca de água durante o dia, são esto­ca­dos 20 a 40 pei­xes / m2 , com cerca de 100 gra­mas , e em algu­mas pis­ci­cul­tu­ras mais inten­si­vas uti­li­zam den­si­da­des de até 40 a 60 pei­xes /m2 .

A pro­du­ção mínima obtida no sis­tema de cri­a­ção em viveiro esca­vado com ali­men­ta­ção comer­cial é de no mínimo de 50 tone­la­das /ha e podem che­gar a pro­du­zir 300 a 500 tone­la­das /ha , com pei­xes de 1,0 a 1,5 kg após seis meses de cultivo.

Para cri­a­ção em tanques-rede nos rios do delta do rio Mekong as expe­ri­en­cias são bem suce­di­das usando-se gai­o­las de grande volume (50 a 1000 m3) com a pro­du­ção de 100 a 120 kg/m3.

Sabe-se que no Vie­tinã exis­tem pro­ble­mas sérios com mão-de-obra mal remu­ne­rada, uso indis­cri­mi­nado de anti­bió­ti­cos, desin­fe­tan­tes bani­dos e da polui­ção na água de cri­a­ção do Pangasius.

O Bagre Pan­ga­sius estará sendo sub­me­tido inter­na­ci­o­nal­mente a um rigo­roso pro­cesso de Nor­ma­ti­za­ção e Padrões Glo­bais até final de 2010, obje­ti­vando a comer­ci­a­li­za­ção com somente prá­ti­cas sau­dá­veis e cor­re­tas sobre o ponto de vista da sani­dade, e de açoes socio-ambientais.

No Bra­sil temos impor­ta­ção para uso em aqua­ri­o­fi­lia , mas deve-se ter o cui­dado no con­trole dese ani­mal nos ecos­sis­te­mas aquá­ti­cos bra­si­lei­ros, e o con­trole deve ser rigoroso.

domingo, 15 de setembro de 2013

OLA GENTE HOJE COLOCAREI TUDO SOBRE MEXIRICA (PEIXE).

Mexirica



Nome científico: Etroplus maculatus
Origem: Índia, Sri Lanka
Família: Cichlidae
Tamanho: 10 cm
Litragem: 100 litros
pH: 8.0
dH: 10
Temperatura: 25ºC
Alimentação: Onívoro
Reprodução: Ovíparo
Comportamento: Pacífico

Dimorfismo sexual: É uma espécie difícil de sexar, pois não existem diferenças notórias entre os sexos. No entanto existem descrições que atribuem coloração mais forte e maior volume aos machos dessa espécie.

Alimentação: Em seu habitat natural o Mexirica é uma espécie Onívora que costuma se alimentar de pequenos crustáceos, alevinos de outras espécies e matéria vegetal. Em cativeiro, aceitam praticamente qualquer alimento oferecido, desde rações flocadas e granuladas até comidas congeladas e alimentos vivos. Algumas plantas mais tenras também podem entrar no cardápio.

Reprodução: A reprodução do Mexirica não é difícil, sem forem mantidos parâmetros próximos aos ideais, e em água salobra. É altamente recomendado que sejam colocados cerca de 10 indivíduos em um aquário, e que se observe a formação de casais. Quando isso ocorrer, os peixes deverão ser separados, e colocados em um aquário só para eles. A postura dos ovos costuma ser em pedras ou troncos de superfície lisa. Os ovos devem eclodir por volta de 3 a 6 dias, isso dependerá da temperatura e da salinidade da água (temperaturas elevadas facilitam a eclosão dos ovos). Após os ovos eclodirem, os pais costumam cavar buracos no substrato, onde levarão seus filhotes, nessa etapa os pais ficam bastante agressivos com qualquer coisa que passe pelo território. O grande segredo em relação ao sucesso dos alevinos, está na salinidade da água.

Quanto a alimentação dos alevinos, esta deve ser feita com micro-vermes, náuplios de artêmia, etc. O aquário deve ter uma vegetação densa, o que elevará as chances de sucesso no desenvolvimento dos alevinos.

Sobre o peixe:
O Mexirica é um peixe facilmente encontrado em lojas de aquários, porém seu lugar de origem é desconhecido pela maioria das pessoas, e de fato é bem interessante por ser um dos poucos membros da família Cichlidae originário da Ásia.

Fácil de entender, o seu nome foi dado de acordo com a sua coloração, semelhante ao da fruta que recebe o mesmo nome. Pode variar de amarelo claro até quase laranja.
O Etroplus maculatus, é um peixe extremamente sensível a variações bruscas de temperatura e são facilmente atacados pelo Íctio, devendo assim o aquarista redobrar sua atenção.

São peixes que preferem águas salobra, e é assim que o aquário ideal para esse peixe deve ser. O volume do aquário deve ter no mínimo 100 litros, com substrato arenoso, e de preferência com vegetação densa. Manter esse ciclídeo em água doce, reduz a sua expectativa de vida, e não permite que atinja sua coloração amarelo intenso, e também acabando com as possibilidades de executar sua reprodução com sucesso.

O ideal, é que seja mantido um casal, porém se isso não for possível, deve-se manter ao menos 3 indivíduos, uma vez que em números menores podem ocorrer perseguições constantes. Rochas e plantas ajudam a diminuir as disputas por território ( ato comum entre os membros da família Cichlidae). São peixes relativamente pacíficos com outras espécies e não existem maiores restrições quanto aos companheiros de aquário, basta apenas que não caibam em sua boca, e que os parâmetros de água sejam compatíveis.



Etroplus maculatus na forma selvagem

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

OI GENTE HOJE COLOCAREI TUDO SOBRE NEONS.

Peixe Neon - Aquário Ideal

Amigos,

Voltamos para falar um pouco do aquário em si... A água, pH, filtragem...
Não deixem de colaborar comentando... Se tiverem material para complementar ficaremos muito felizes em receber...

Mas vamos lá...

O Neon gosta de uma água mais envelhecida (não, ela não tem cabelos brancos...) e sim uma água a mais tempo no aquário... Ou seja... Não vá montar seu aquário e no outro colocar os peixes. Deixe o aquário funcionando somente com as plantas durante uns 15 dias (mínimo) com a filtragem biológica (importantíssimo)... Assim a qualidade e estabilidade da água estará garantida...

Este peixe gosta de aquários plantados (com locais para ele se esconder)... Não que ele não vá viver em outra montagem, mas não é sua preferência...

Troncos, pedras e xaxim (cuidado com o xaxim, pois ele pode alterar o pH radicalmente...) podem ser usados...


Cuidado com a iluminação... Ilumine somente o necessário e sem excessos...





Há produtos no mercado que deixam a água com um tom escurecido e mais próximo do habitat do Neon... Mas cuidado... Pois pode diminuir a quantidade de luz que as plantas recebem e algumas podem morrer (matéria orgânica em decomposição altera o pH). Mas alguns gostam de usar... A Tetra tem o Tetra Black Water que promete deixar a água com cor de chá utilizando extratos, segundo eles, retirado dos rios da Amazônia.


Os peixes Neons (assim como a maioria) prefere locais mais calmos... Assim evite colocar seu aquário do lado de seu aparelho de som e em locais muito movimentados...

A instalação de um bon termostato é fundamental... Deixe a temperatura em torno de 25ºC... No verão a temperatura sobe naturalmente e isso também ocorre na Amazônia.

Faça trocas parciais sem excessos (25% está bom)... Normalmente de 20 em 20 dias está de bom tamanho e não se esqueça de sifonar o fundo (cuidado para não sifonar os Neons). No inverno evite as trocas parciais ou diminua a quantidade...

Neons em aquários comunitários se sentem melhor... Não que você não possa ter somente Neons, mas acontece que eles costumam ficar tímidos.

Peixe Neon - Reprodução

Sejam bem vindos amigos do Aqua Simples. Vamos falar hoje como tentar reproduzir os Neons em aquário.

Já sabemos que a tarefa não é nada fácil. Poucos tiveram sucesso. E qualquer detalhe é importante...

A primeira coisa que devemos ter é um aquário exclusivo para Neons... Densamente plantado e com muito Musgo de Java. Aquário mais escuro... Não vá iluminar fortemente o aquário...

Cuidado com a filtragem... Coloque uma esponja para impedir que seu filtro puxe os ovos ou os alevinos...

Os Neons vivem (na natureza) em águas escuras e ricas em ácido húmico* (veja no final do artigo) e também ácido tânico** (veja no final do artigo). Os ácidos são bacteriostáticos (matam bactérias) impedindo que bactérias tomem conta da água. Assim a água torna-se livre destes agentes indesejáveis... Mas o que isso tem haver com a reprodução?

Na verdade estas águas são livres destas bactérias o que possibilita a desova dos Neons... Os ovos dos Neons são muito sensíveis. E em nossos aquários sempre ocorre algo que impossibilita a reprodução.

Os Neons (peixe ovíparo, dã...) deixam seus ovos soltos na água (que se fixam na vegetação). Os ovos são semi-adesivos e normalmente eclodem de 24 a 36 horas após a postura.

Os pais podem comer a desova... Por isso a importância do aquário ser plantado (muito).

Os alevinos vão se alimentar de infusórios***(veja no final do artigo).

Normalmente se vê os Neons em seu ritual de acasalamento o que se torna difícil de verificar são os ovos e os alevinos...

Na naturaza a desova ocorre no escuro (a água é escura, lembra?) em água ácida e mole.

Os pais não vão ficar tomando conta dos ovos ou dos alevinos... Eles deixam isso com a mãe natureza (em nosso caso com agente).

É importante a questão da alimentação. Dê alimentos vivos variando o cardápio... Os Neons vão sentir a fartura (como na época de cheia) mas cuidado para não colocar comida em excesso, pois corre o risco de mudar a qualidade da água... Alimente 3 vezes ao dia...

Existem diversas formas de tentar montar o ambiente adequado, mas todas elas passam pela características descritas acima.

Vamos a parte prática!



- Escolha um aquário a partir de 40 litros.
- Coloque uma placa de xaxim tratada no fundo (bem pequena, e imagem acima é ilustrativa).
- Cubra o fundo com musgo de Java.
- Coloque um grupo de Neons.
- Água deve ser ácida com o pH em torno de 5,5 a 6,5 e a temperatura em torno de 27 a 29°C e água mole.
- A Iluminação deve ser fraca (não é a vez das plantas e sim de reproduzir).

A desova não tem como se identificar com antecedência, pode ocorrer em qualquer momento. E a eclosão é rápida (24 a 36 horas). Fique atento! Se perceber retire os adultos...

Os ovos são sensíveis a fungos e podemos imitar a naturaza colocando xaxim no aquário, pois o xaxim é um fungicida natural.

Alimente os filhotes com infusórios, náuplios de artêmia e microvermes...

Existem outras formas, se você teve êxito entre em contato conosco... Ficaremos felizes em divulgar o seu método!

*Ácido Húmico: Solução ácida resultante da extração de componentes orgânicos do solo ou do sub-solo, mormente humus, por soluções aquosas percolantes.

Os ácidos húmicos são importantes nos processos de intemperismo e em vários outros processos, afetando o solo e sub-solo por onde migram como, por exemplo, na solubilização de Fe+3 de óxidos e hidróxidos de Fe (oxidado e insolúvel) das limonitas de solos lateríticos através da redução para Fe+2 pelo ácido húmico, propiciando a migração do Fe até locais de maior oxidação onde é novamente precipitado e fixado como óxidos e hidróxidos, podendo formar concreções, veios preenchidos, cimento de partículas, etc..


**Ácido Tânico: Também denominado de tanino, é uma designação atribuída a várias substâncias orgânicas amareladas muito difundidas no reino vegetal, que são ligeiramente solúveis em água, apresentam um sabor levemente adstringente e que, com sais férricos, provocam colorações negras e verdes. O ácido tânico é usado em curtumes e no fabrico de tintas (como mordente) e produtos farmacêuticos.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

OLA GENTE HOJE COLOCAREI COMO VOCÊ CUIDAR DOS ALEVINOS PARA QUE ELES FIQUEM GRANDES E SAUDAVEIS.

a seleção dos melhores alevinos de bettas splendens - uma discussão*
Resumo:
Alguns criadores de peixes ornamentais têm o hábito de selecionar os maiores alevinos que se destacam na desova acreditando que eles serão – no futuro - os melhores exemplares daquele lote. Muitas vezes os criadores descartam os demais e investem nestes peixes selecionados prioritariamente. Este artigo demonstra – através de experimentações e à luz de conceitos científicos - que este procedimento pode não estar correto, pois, muitas vezes, os menores filhotes podem se transformar nos melhores peixes se receberem tratamentos adequados. Neste artigo há também o depoimento de especialistas, cientistas e criadores, que colocam aqui a sua opinião sobre o polêmico assunto.
Alguns criadores, de Betta splendens, a exemplo de criadores de outros animais, adotam o procedimento de selecionar os maiores alevinos, ou seja, aqueles que se destacam no cardume, logo nos primeiros dias de vida, e investirem nesses peixes para posteriormente se tornarem os “top de plantel”, deixando o restante para segundo plano, ou até mesmo descartando-os.
Esses criadores acreditam que os alevinos que se desenvolvem primeiro serão os melhores daquela desova e conseqüentemente, apresentam, melhor material genético e, portanto, serão os animais preparados para serem as futuras matrizes. Não podemos descartar esta possibilidade, porém, a minha experiência em piscicultura ornamental mostra que excelentes peixes podem ser encontrados também no lote dos que tiveram um desenvolvimento mais lento. Para fundamentar meu ponto de vista teço os comentários abaixo:
Diferença no desenvolvimento - alevinos com 35 dias
- Figura 1 -

1. Meu Manejo de Alevinos
Meus peixes são criados em meu laboratório utilizando aquários ou caixas plásticas e, dependendo da quantidade de alevinos, com dez dias de nascidos divido a ninhada em outros recipientes. Quando estão com um mês de idade faço a primeira seleção, pois já é possível observar uma acentuada diferença de tamanho, sendo que vários alevinos se sobressaem, enquanto outros permanecem bem pequenos, dando-nos a impressão que não irão crescer. Assim, retiro os maiores alevinos e levo para os tanques de crescimento. Poucos dias depois os alevinos que ficaram passam a se desenvolver mais rapidamente e novas diferenças de tamanho começam a ficar visíveis. Aos quarenta e cinco dias faço a segunda seleção e retiro, novamente, os maiores alevinos levando-os, também, para o tanque de crescimento, ficando no aquário inicial, mais uma vez, os menores filhotes que passam a se desenvolver mais rapidamente do que os lotes anteriores, em função, principalmente, da maior quantidade de água disponível, maiores níveis de oxigênio dissolvido, melhor oferta de alimentos, menor estresse por espaço físico, etc, etc. Com sessenta dias de nascidos, então é feita uma nova avaliação e o processo é repetido a cada quinze dias até que todos os alevinos sejam levados para os tanques de crescimento.
Alevinos com 25 dias - diferenças no desenvolvimento
- Figura 2 -
Quando os filhotes machos, já acondicionados nos tanques, começam a brigar estes são retirados e acondicionados em recipientes individuais. É possível observar que de todos os lotes saem peixes bons e peixes ruins. Todos os lotes possuem peixes grandes e pequenos, peixes com grande dorsal e pequena dorsal, peixes com muita cor e peixes com pouca cor. Já vivenciei alguns casos que aqueles últimos peixinhos, bem pequeninos, que não damos a devida importância, e são deixados de lado, começam a desenvolver, tardiamente, características de peixes “top de linha” e que até poderão ser selecionados para matrizes.
Alevinos com 28 dias - diferenças no desenvolvimento
- Figura 3 -
Alguns criadores sugerem que os peixes sejam selecionados, logo no início, pelas características morfológicas que desejam, por exemplo: abertura caudal, abertura peduncular, coloração, etc. Cabe ressaltar, entretanto, que, dependendo da espécie e ou da linhagem, muitas destas características só irão se manifestar quando os animais já se encontrarem com alguns meses de idade; por exemplo, na minha linhagem super red, quase todas as fêmeas só colocam as suas cores definitivas após quatro ou cinco meses de idade. Até esta idade elas são cambojadas.
A título de informação, vale citar que o fator luz exerce significativa influência neste quesito, sendo que peixes criados sobre exposição de luz têm tendência a mostrarem suas cores mais rapidamente do que aqueles que não são criados com aquela exposição.
Vale considerar, também que a completa abertura caudal, em algumas linhagens, só poderá ser totalmente observada quando o peixe já possuir vários meses de idade. Na linhagem de white opaque que desenvolvo, por exemplo, a maioria dos peixes só mostra sua total abertura caudal após os cinco meses de idade, principalmente as fêmeas.

2. Porque alguns alevinos crescem mais do que os outros, sendo que em alguns casos os maiores chegam a comer os menores?
Temos que considerar que uma postura de uma fêmea do peixe betta produz, em média, de cem a quinhentos ovos, sendo que já foram observados casos excepcionais que este numero ultrapassou a casa dos mil ovos.
A partir do momento que o ovócito é expelido pela fêmea e fecundado pelo macho inicia-se, imediatamente, o processo de desenvolvimento daquele organismo. A corrida pela vida começa mesmo antes do ovócito chegar ao fundo do aquário, pois ele já está fecundado. Uma postura de uma fêmea pode levar horas para ser concluída e, assim, os ovos que foram fecundados primeiro conseqüentemente serão os primeiros a eclodirem e gerarem alevinos.
Os alevinos dos primeiros lotes comerão primeiro e consequentemente crescerão primeiro. Desta forma podemos, hipoteticamente, considerar que estas diferenças entre os nascimentos podem significar a diferença entre sobreviver ou servir de alimento; ser um exemplar bom ou ser um exemplar ruim.
Outro aspecto biológico a considerar é o fato dos ovos do peixe betta, quando examinados à luz da lupa eletroscópica, não apresentarem exatamente o mesmo tamanho.
Ovócitos de bettas. Não são exatamente do mesmo tamanho.
- Figura 4 -
Esta diferença pode nos indicar que suas reservas vitelínicas não possuem o mesmo volume e que os peixinhos ao nascerem não terão exatamente o mesmo tamanho (Vide Figura 3). A diferença de tamanho é muito significativa na corrida pela vida. Peixes maiores tem bocas maiores e se tornam aptos primeiro a se alimentarem de um náuplio de artemia ou um microverme e assim, hipoteticamente, poderíamos considerar, que ter a boca um pouquinho maior pode significar a diferença entre viver ou servir de alimento; em ser um exemplar bem sucedido ou em ser um exemplar medíocre.
Ovócitos - visualização da diferença no volume da reserva vitelínica
- Figura 5 -
Como vimos nos dois últimos parágrafos os alevinos que nasceram primeiro ou com maior reserva vitelínica podem apresentar melhor chance de sobrevivência, mas seriam estes os exemplares com o melhor material genético para evidenciar os fenótipos que apreciamos?
Convém lembrar que a maioria das características que apreciamos nos peixes ornamentais não necessariamente serão as mais favoráveis na natureza.

3 . Então como devemos selecionar os exemplares para serem as nossas matrizes?
Seleções rigorosas baseadas em uma única característica biológica como precocidade de desenvolvimento ou tamanho podem até resultar em peixes excepcionais, no entanto, não garantem outras características fenotípicas que queremos. Obter animais com melhor pedúnculo, dorsal, maior número de raios na cauda, etc, exigem que sejam escolhidos animais possuidores de genótipos favoráveis que tanto podem estar transcritos no DNA desses primeiros e maiores alevinos quanto na cadeia genética daqueles menores, que não se desenvolveram primeiro por questões bióticas ou abióticas desfavoráveis, ou seja, por interação inadequada com os irmãos maiores ou com o ambiente.

4. A título de curiosidade vale comentar porque uma fêmea do peixe betta produz tantos ovos.
Durante o desenvolvimento evolucionário dos organismos animais, algumas espécies sofreram, no decorrer do tempo geológico, adaptações evolutivas que as levaram a gerar muitos ovos ou muitos filhotes, enquanto outras evoluíram para gera poucos ovos ou poucos filhotes.
Segundo o postulado darwiniano, aquelas espécies que geravam poucos ovos ou filhotes desenvolveram paralelamente rituais de cuidados parentais mais aperfeiçoados com o objetivo de preservar um maior percentual de sua prole. Em contrapartida, aqueles animais que tendiam a gerar muitos descendentes não desenvolveram cuidados parentais tão aperfeiçoados preservando apenas um pequeno número de sua prole e, desta forma, por seleção natural, somente os mais fortes sobreviveriam.
Neste segundo caso, a maioria dos filhotes gerados serviria de alimento aos demais peixes do cardume, sendo até mesmo uma importante fonte de proteína ou fator de preservação daquela população ou da espécie. Acredito particularmente que o peixe betta esteja enquadrado nesta segunda hipótese.

5. Então de onde veio este procedimento de selecionar os primeiros animais que se destacam no lote.
O procedimento de separar os maiores animais de um lote de filhotes, para posteriormente servirem de matrizes, costuma ser utilizado quando o interesse principal é produzir animais cuja característica requisitada é o peso, tamanho, etc, no entanto, atualmente as empresas que trabalham com produção de animais, em escala comercial, utilizam processos de avaliação genética (baseados em marcadores moleculares) para selecionar as suas matrizes, ficando, desta forma, aquele processo de seleção “no olho” ultrapassado mas ainda utilizado por muitos produtores que não tem conhecimentos e acesso à tecnologia moderna.

6. Então qual seria a melhor forma de selecionarmos e avaliarmos nossos alevinos?
Sabemos que os principais fatores para obtenção de peixes de boa qualidade estão diretamente relacionados à água e a alimentação.
A água deve ser de excelente qualidade, isto é com ausência total do terrível trio de compostos nitrogenados: nitrito, nitrato e amônia; temperatura e parâmetros físico-químicos compatíveis com a espécie de peixes em criação.
Acredito que a qualidade da água seja ainda mais importante do que alimentação porque peixes com um mínimo de alimentação, porém com água de boa qualidade podem crescer, no entanto, quando a água está ruim, mesmo com boa alimentação os peixes atrofiam.
Sugiro a separação máxima dos alevinos, ou seja, já a partir do décimo dia de nascidos pode-se dividi-los em vários grupos; a regra é: quanto maior a litragem por indivíduo melhor será o desenvolvimento.
Quando os alevinos estiverem separados em pequenos lotes teremos um crescimento mais ou menos uniforme e poderemos remanejar um indivíduo que se destacou no seu lote, para um lote de maiores e vice versa.
Desta forma, tanto no aquário, ou em tanques poderemos avaliar progressivamente todos os peixes, selecionando os indivíduos que possuem as características fenotípicas que desejamos, sem descartar aqueles que inicialmente demoraram mais para se desenvolverem.
A TÍTULO DE EXPERIMENTAÇÃO SUGIRO QUE OS COLEGAS RETIREM OS MENORES ALEVINOS DE SUAS DESOVAS E ACONCIDIONE-OS EM RECIPIENTES, DENTRO DOS PRÓPRIOS AQUÁRIOS DE CRESCIMENTO, CONFORME FIGURA ABAIXO. TENHO CERTEZA QUE VOCES TERÃO UMA SURPRESA COM O DESENVOLVIMENTO DESSES ALEVINOS.
Seleção dos 5 menores alevinos, a cada dez dias, para comparativo do desenvolvimento com o resto da ninhada.
- Figura 6 -
Considerações:
Coloquei neste artigo as observações que venho fazendo na criação do peixe betta e que tem me propiciado, como resultado, exemplares excepcionais, com tamanho acima do padrão de mercado, no entanto, nada impede que outros criadores tenham outros pontos de vista, estejam fazendo de outra forma e estejam obtendo sucesso, por isso coloco este assunto em discussão e gostaria de ouvir a opinião de outros criadores, pois só assim poderemos evoluir na criação deste fantástico peixe.

Wilson Vianna
wovianna@oi.com.br
Graduado em Ciências Biológicas pela UNISUAM/RJ, graduado em Administração de Empresas pela UNISUAM/RJ, Pós - Grad. em Biologia Marinha pela UNISUAM /RJ, Possui trabalhos científicos publicados através do CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, titular da Piscicultura Vianna (Magé/RJ), relações públicas e articulista da revista Mania de Bicho (RJ). Gestor do Centro de Estudos de Aquariofilia - CEA, membro da equipe de pesquisa Científica "Aquisuam” .
* Artigo publicado originalmente na revista Mania de Bicho

- COMENTÁRIOS -
A seleção dos filhotes que crescem mais rápido em uma ninhada de peixes tem por base, a meu ver, em uma interpretação errada do conceito darwiniano de “seleção dos mais aptos” que é interpretada como “seleção dos mais fortes” que é o uso comum aplicado pelas pessoas com pouco conhecimento de genética.
Como estou no mesmo caso, durante muito tempo apliquei este tipo de seleção, porém, com a experiência, um pouco de leitura – de autores habilitados – e um tanto de “meditação”, tenho visto que as coisas não são assim tão simples.
Embora não seja completamente errado que os indivíduos que crescem mais rápido possuem algumas vantagens em relação aos irmãos de uma mesma ninhada, também é certo que determinadas características necessárias à perpetuação da espécie só serão postas a prova em estágios posteriores, como delimitação de território, cuidados parentais, taxa de fecundação, etc, em que nem sempre aqueles indivíduos mais possantes e vistosos serão os mais bem sucedidos.
Quem em sua criação, nunca deparou com um imponente macho de disco, por exemplo, que a primeira vista seria escolhido como reprodutor, mas que por uma “falha genética” é agressivo demais com qualquer fêmea, inibindo a desova, ou que não mostra interesse em fecundar uma desova? Bem, num campeonato em uma exposição ele pode se destacar, mas como reprodutor ele será descartado.
Por exemplo, em minha ultima ninhada de Fundulopanchax gardineri nigerianum, os dois machos maiores, com belíssimo colorido foram preteridos por mim em função de um terceiro motivo: após o 4º mês, apresentaram desvio na coluna, próximo ao pedúnculo caudal e logo após apareceram outros desvios na coluna, enquanto que um terceiro apresentou aspecto totalmente dentro dos padrões de formato de corpo, nadadeiras e coloração.
Quando criamos animal em cativeiro, especialmente quando a finalidade é ornamental, mesmo não estando totalmente livres dos fatores que determinam a seleção natural, certas leis da seleção artificial não são levadas em conta, por nós por desconhecimento, o que às vezes prejudica e atrasa muito o objetivo que queremos alcançar. Um estudo mais cuidadoso da herdabilidade que é a porcentagem de um determinado gene ou conjunto de gene (porque alguns deles são transmitidos em blocos, o que às vezes complica um pouco as coisas) de serem transmitidos aos seus descendentes, ajudaria muito para esclarecer certas questões que por vezes desafiam os criadores.
Isto demanda algum tempo com leitura de trabalhos de genética (de autores habilitados), paciência na observação das ninhadas sem uma preocupação exagerada em selecionar rapidamente os filhotes que se destacam primeiro, como você já vem fazendo, e o acompanhamento da eficiência na transmissão dos caracteres mais desejados através da comparação entre vários indivíduos no ato reprodutivo, para se estabelecer uma metodologia adequada para a fixação de uma linhagem dentro dos padrões desejados.

Reinado Santana
Médico veterinário, consultor técnico da Cia dos Aquários, responsável pelo setor de Aquariofilia da loja “NO AR” consultor do Centro de Estudos de Aquariofilia.

Concordo com você que o processo de seleção de matrizes pode ser mais elaborado do que apenas a escolha dos animais por tamanho ou precocidade. Estes valores são oriundos da pecuária de corte. Uma seleção drástica como esta usando apenas uma característica fenotípica é muito restritiva e, a meu ver, perigosa para o plantel.
Para mim a seleção deve ser feita em concordância com as características desejadas pelo criador. Se apenas peixes grandes o satisfizer, ótimo! Agora a piscicultura ornamental pede, como em outras criações de animais domésticos, a seleção de múltiplas variáveis desejáveis no plantel.
Acredito que uma seleção baseada em pelo menos três fatores fenotípicos e dois fatores qualitativos da criação seja mais eficaz. Por exemplo, creio que uma escolha básica pode ser feita usando o tripé: tamanho, cor e morfologia, onde o criador deve colocar um valor prioritário individual em cada item de acordo com seu objetivo com o plantel. Acrescentaria mais dois fatores qualitativos de manejo: taxa de fecundidade e fertilidade.
Outros fatores esquecidos, como você mesmo citou, são os de interação biótica e abiótica do plantel. Este tema é tão essencial que merecia um artigo exclusivo.
Para finalizar senti a falta de uma sugestão no seu texto de parâmetros de seleção específica para o Betta, de acordo com a sua experiência. São tantos fatores a serem analisados que o criador pode se perder na seleção e ao invés de errar por selecionar com rigor excessivo, deixa de ter seleção. Ficaria muito bom se você colocasse em pauta também a seleção para objetivos comerciais e outra para objetivos de melhoria da espécie.

Luiz Guilherme Ferreira Filho
Médico / Fio Cruz, criador de Bettas, mantenedor do Centro de Estudos de Aquariofilia.

O conjunto “tamanho, forma e fenótipo desejado (cores e/ou distribuição das mesmas)” continuará sempre valendo.
Geralmente utilizamos linhas de sangue distintas de uma mesma linhagem onde, em cada uma delas (ou mesmo, em mais de uma) se dá ênfase a cada um desses parâmetros separadamente, salvaguardando-se, sempre, aqueles que tenham os demais fatores girando em torno daquilo que se deseja alcançar.
Porém, mesmo naquelas linhas de sangue em que se está enfatizando o tamanho, aqueles alevinos que se desenvolvem mais rapidamente, não necessariamente serão aqueles que se estabilizarão nos maiores portes e/ou terão a capacidade genética de transmitir esse fator aos descendentes.
Quanto à essa última observação, será sempre impossível ao criador mediano ter a garantia de se estar lançando mão de exemplares (seja ele um macho ou uma fêmea) nas outras linhas de sangue (as com ênfases na forma e/ou cor) que irá reforçar um aumento no tamanho dos bettas de seu plantel, futuramente.
Claro está para mim que, caso se tenha dois peixes que se encontrem em mesmas condições de qualidade – tamanho, forma e cor -, porém, um deles com um desenvolvimento mais rápido que o outro, é mais lógico que se utilize aquele com um desenvolvimento mais precoce, pois esse fato pode, realmente, apontar para um diferencial genético entre ambos, nesse quesito.
Uma outra coisa é que determinadas linhagens (White platinum, White opaque, vermelhos e amarelos) só permitem que se consiga escolher os melhores exemplares (no quesito cor) a partir dos 8 meses.
Isso porque esses padrões de cor enganam, e aquelas “sujeiras” que surgem no fenótipo, demoram a aparecer nos bettas novos – mesmo nos de grande porte –, e só se mostram em bettas mais velhos. Mesmo assim, em muitas das fêmeas (me refiro aos brancos ou amarelos), por serem menores – na grande maioria das vezes -, passam toda uma vida sem apresentar essas infiltrações de cores estranhas ao padrão.
Dessa forma, é prudente se aproveitar, ao máximo, todos os exemplares de uma ninhada, de tal forma a se ter – até, para fins estatísticos – uma maior amostragem de como essa “sujeira” está se comportando dentro de seu plantel.
Realmente, as questões de estresse com irmãos maiores e/ou de ambiente com alta concentração de indivíduos por unidade de área (e não de volume) – supondo-se, é claro, boas as demais condições de contorno (iluminação, temperatura, alimentação e parâmetros físico-químico da água) – afetam extremamente o desenvolvimento de toda a ninhada, e, em especial, os “retardatários”.
Esse ponto é, sem sombra de dúvidas para mim, o fator primordial que deverá ser equacionado por quem deseje ter bettas com saúde – independente de se ter (ou não) qualidade genética. Diria mais: isso vale para qualquer meio aquático onde se tenham peixes. A relação indivíduo x espaço vital mínimo e exclusivo em seu entorno é de suma importância, principalmente, ao betta que é tremendamente territorialista!

Vitor Calil Chevitarese
Estudioso e conceituado criador do peixe Betta, consultor e mantenedor do Centro de Estudos de Aquariofilia - CEA.

Como o Wilson disse bem no seu artigo, se pudéssemos manter até uma idade elevada toda uma ninhada apareceriam peixes de todos os tipos: grandes, pequenos, com dorsal boa, ruim, HMs, superdeltas, sólidos em cor, lavados, apáticos, valentes, covardes e por aí vai. Ao selecionarmos os bettas apenas pelo tamanho, caímos no erro de acreditarmos que o tamanho é a única razão de criarmos bettas ou que todos os bettas que crescem mais rápido serão os que apresentarão as melhores formas e cores.
Por experiência notei que quando selecionamos os maiores peixes de uma ninhada e os separamos, eles tendem a se tornar sexualmente maduros mais cedo que os irmãos que ficam em cardume. Também ocorre um crescimento das nadadeiras e das características que o tornam apto a se reproduzir. A ação dos hormônios sexuais, alavancados pela falsa delimitação de território, reduz a velocidade do crescimento em detrimento da velocidade de aptidão para a reprodução.
Os filhotes machos que demoram mais a sair do cardume tendem a crescer o corpo e muitas vezes ficamos pasmos quando aquela fêmea “linda” na verdade transforma-se em um macho enorme, que apenas demorou a desenvolver suas características sexuais.
Esta demora em mostrar essas características tem várias causas. Uma delas é o estresse causado pelos filhotes maiores (que em sua maioria são machos) sobre os menores. Como foi dito acima, ao retirarmos os maiores peixes, outros ocupam os seus lugares. Caso fizéssemos isso até o fim da ninhada, depois de um tempo sempre haveria peixes maiores, dominando os menores. Creio que alguns peixes demoram a apresentar suas características sexuais como defesa do ataque dos machos dominantes. Ao manter a aparência neutra por mais tempo, tendem a sofrer menos ataques desses machos na defesa do território. Conforme se diminuem os peixes, o estresse de estar sempre encontrando os machos dominantes diminui e o peixe se alimenta melhor e cresce mais. Assim sendo, a lógica de poucos peixes – peixes maiores é correta.
Infelizmente existem hoje muitos criadores de bettas que põem seus peixes para reproduzir muito cedo, aos três, quatro meses, buscando repostas rápidas e comerciais. Nos casos dos plakats o problema não é tão sério, mas nos casos dos HMs long fin é seríssimo. A grande maioria dos HMs do mercado aos seis, sete meses já não estão aptos para reprodução devido ao enorme peso das nadadeiras. Ficam deitados no fundo da beteira sem forças para nadar. Os HMs originais, foram desenvolvidos por uma equipe de criadores que só selecionavam peixes a partir dos seis meses, buscando peixes que pudessem se manter saudáveis e reprodutivos até uma idade elevada. Com a expansão dos HMs pelo mundo, o comércio falou mais alto.
Atualmente vemos um crescimento muito grande do interesse dos plakats em relação aos HMs Long Fin. Parte disso é a característica dos PKs se manterem ativos sexualmente por mais tempo e mostrarem-se ativos todo o tempo. As nadadeiras menores tornam isto mais fácil, sendo assim porque não escolher os bettas long fin por suas qualidades natatórias e de saúde em vez de escolhermos os que crescem as nadadeiras mais rápido.
Finalmente creio que são procedimentos saudáveis na criação do Betta splendens:
  • Separar os filhotes por tamanho semanalmente;
  • Evitar superpopulação dos filhotes;
  • Fazer o máximo possível de TPAs, de preferência 100 % todo dia
  • Não colocar alimento em um só local, mas espalhá-lo por todo o aquário para evitar que os maiores atrapalhem os menores a comer;
  • Selecionar os reprodutores, principalmente os machos, após os seis meses de vida e em algumas linhagens após isto. Se nessa idade o macho não consegue mais se reproduzir e nadar com desenvoltura, deve ser descartado para reprodução e mantido apenas para exposições;
  • E por último, ler este artigo do Wilson que é porreta!!!!!!